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METADE DO QUE HÁ EM NÓS

Esta é uma série de esculturas resultante de pesquisas e observações sobre a dualidade que constitui a existência humana. O trabalho parte da premissa de que somos seres incompletos, buscando constantemente um complemento que nos define, equilibre, impulsione e, enfim, nos complete.

Cada escultura estabelece um diálogo entre dois elementos: uma estrutura metálica, orgânica e fluida, que sugere a silhueta da metade de um corpo, e um elemento central, mais estruturado e denso, posicionado no interior desta forma. Essa dualidade representa a relação entre o ser físico (a silhueta) e sua contraparte espiritual ou psíquica (o núcleo central).

A silhueta não se fecha; ela é uma linha contínua, porém aberta. Essa incompletude é proposital, simbolizando a fluidez da identidade, que não é imutável, mas evolui e se transforma com o passar do tempo e o acúmulo de experiências vividas.

Esteticamente, a obra convida o observador a participar do processo criativo. Ao perceber o contorno sugerido, o cérebro preenche a parte faltante da escultura, reconhecendo-a instantaneamente como a representação de um corpo — um ser que precisa ser complementado. O elemento interno, por sua vez, age como esse complemento, contendo a essência, a energia e a "metade espiritual" desse ser. É essa metade interna que, em última análise, molda nossa personalidade, influencia nossas ações, escolhas e gostos pessoais, desenhando, em grande medida, o nosso destino.

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